Neuromodulação

Neuromodulação ou Neuroestimulação

Neuromodulação

A estimulação cerebral profunda (neuromodulação ou neuroestimulação) é uma técnica capaz de atenuar e/ou tratar males como a enxaqueca e outras dores crônicas, a Doença de Alzheimer, o Mal de Parkinson, depressão, epilepsia, incontinência urinária e até contribuir para a reabilitação da paraplegia e tetraplegia. Indicada ainda em alguns casos de fibromialgia, lesões da medula espinhal, transtorno afetivo bipolar, déficit de atenção e hiperatividade, a Neuromodulação é, de fato, um dos maiores avanços da medicina mundial, uma revolução.

O tratamento visa a restaurar os diversos sistemas biológicos presentes no nosso organismo. A forma invasiva é a que necessita de um procedimento cirúrgico com o implante de sistemas de estimulação ou de sistemas de infusão de medicamentos, diretamente, no sistema nervoso central (cérebro ou medula). A não invasiva se utiliza de terapias e medicamentos. A definição da melhor técnica dependerá da particularidade de cada paciente.

Quando noticiado, em 2011, que um americano com paralisia conseguiu não só ficar de pé como dar alguns passos, graças a estímulos elétricos na medula espinhal, o mundo se surpreendeu. Os pesquisadores que cuidaram do caso de Rob Summers implantaram um dispositivo elétrico nas costas do paciente, por meio de uma pequena cirurgia, ou seja, testaram a Neuromodulação. Técnica para a qual se apela quando não há remédio, a neuromodulação é minimamente invasiva, não produz efeitos colaterais e não demanda a secção de raízes nervosas.

No que concerne à Doença de Parkinson, ela é tida como o maior avanço – e maior esperança – em direção ao tratamento. Afinal, os remédios, quando não têm sua eficácia diminuída com o passar dos anos, são extremamente fortes, causando efeitos colaterais nada desejados. O neuromodulador pode ser implantado no tórax, perto da clavícula, e os resultados são excelentes. Os choques produzidos pelos eletrodos estimulam o tálamo, o globo pálido e o subtálamo, regiões do cérebro responsáveis pelo controle, entre outras coisas, das mãos.

Quando o assunto é o AVC (acidente vascular cerebral), doença que é uma das maiores causas de mortes no mundo, os testes são promissores, como demonstrou estudo realizado no Centro para Restauração Neurológica da Cleveland Clinic, nos EUA. Realizado em ratos com um quadro de AVC isquêmico induzido e paralisia em um lado do corpo, notou-se desempenho melhor da pata afetada pela paralisia entre os cuidados mediante a técnica.

E tem mais. A incontinência urinária e a fecal podem ser controladas e restauradas; outras doenças neurológicas e distúrbios do movimento podem ser substancialmente melhorados; dores crônicas também podem ser controladas; doenças vasculares periféricas podem ter o quadro de isquemia revertido, em especial no caso de pacientes com risco de amputação de extremidades; doenças gastrointestinais, como a síndrome do cólon irritável e outras mais, podem igualmente ser controladas.

Surpreendentemente, podem ser tratadas ainda, com o auxílio luxuoso da técnica e a orientação de psiquiatras, doenças psiquiátricas como a depressão e a dependência química. Nestes casos, pode-se não só administrar medicamentos como recorrer à estimulação magnética transcraniana ou ao implante de estimuladores cerebrais profundos. Estudos incluem na lista o tratamento de obesidade mórbida, anorexia e de várias formas de epilepsia, tanto em adultos como em crianças, e do Mal de Alzheimer, visto que a estimulação cerebral pode repovoar o hipocampo, que é o centro da memória e das emoções.

Vale salientar, por fim, que doenças cardiovasculares, em especial a Síndrome X (angina incapacitante, causada pelo desequilíbrio do sistema nervoso autônomo), tais quais as coronarianas – quando não há condições de realizar qualquer tipo de procedimento cardiológico –, também podem melhorar com a utilização de técnicas específicas. Há resultados concretos publicados em diversos grupos por todo o mundo.

As funções sensoriais e motoras do corpo humano são coordenadas pelo sistema nervoso. Logo, as ramificações espalhadas pelo organismo levam para o cérebro informações provenientes de estímulos externos e, ao mesmo tempo, servem para transportar os comandos cerebrais que permitem ao corpo reagir a elas. Tudo isso ocorre por intermédio de trocas elétricas entre as células nervosas e, baseado nisso, as terapias de Neuromodulação foram desenvolvidas.

Icone do whatsapp